quinta-feira, julho 30, 2026
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Como cientistas conseguiram curar pessoas infectadas pelo HIV

**Dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco são apresentados no Rio**

Dois novos casos de remissão da infecção pelo HIV após transplante de células-tronco foram anunciados nesta semana durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Com os registros, chega a 13 o número de pacientes com HIV que ficaram sem vírus detectável no sangue após esse tipo de procedimento.

Um dos casos envolve um homem identificado como “paciente de Kansas City”, nos Estados Unidos. Ele foi diagnosticado com HIV aos 21 anos e também desenvolveu leucemia mieloide aguda, um câncer que afeta a produção de células de defesa do organismo.

O segundo caso é o chamado “paciente de Essen”, na Alemanha. Ele tinha infecção por dois tipos diferentes de HIV e também pelo vírus da hepatite B.

Os dois pacientes passaram por transplantes de células-tronco hematopoiéticas, responsáveis por formar as células sanguíneas, incluindo leucócitos e outros componentes do sistema imunológico.

Em ambos os casos, os doadores tinham uma mutação genética associada à resistência ao HIV. Essa alteração, conhecida como CCR5 delta32, modifica um dos correceptores usados pelo vírus para entrar nas células de defesa.

O HIV infecta principalmente os linfócitos T CD4+, células essenciais para a resposta imunológica. Para invadi-las, o vírus precisa se ligar ao receptor CD4 e a correceptores como CCR5 e CXCR4. Quando o CCR5 apresenta a mutação delta32, essa entrada pode ser dificultada, impedindo a continuidade do processo de infecção.

Com o transplante, os pacientes passam a produzir novas células sanguíneas a partir das células do doador. Assim, as novas gerações de linfócitos CD4+ podem carregar a característica genética que reduz a vulnerabilidade ao HIV.

Após o procedimento, os tratamentos antirretrovirais foram suspensos para avaliar a resposta dos organismos. No paciente de Kansas City, o HIV permaneceu indetectável por 14 meses. No paciente de Essen, o período sem detecção do vírus chegou a 12 meses.

No caso alemão, a interrupção dos medicamentos levou à recidiva da hepatite B, mas não houve detecção do HIV no período analisado.

Os resultados foram classificados como remissão da infecção pelo HIV. Embora alguns casos sejam tratados publicamente como cura, a definição mais precisa é remissão, já que ainda não é possível garantir que o vírus não voltará a ser detectado no futuro.

O primeiro caso reconhecido de remissão prolongada do HIV após transplante de células-tronco foi o de Timothy Ray Brown, conhecido como “paciente de Berlim”. Ele recebeu o procedimento em 2007 e permaneceu sem HIV detectável até 2020, quando morreu em decorrência de leucemia, a mesma doença que havia motivado o transplante.

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