**Centenário de Moacir Santos destaca legado de um dos grandes nomes da música brasileira**
Moacir Santos, compositor, arranjador, maestro e multi-instrumentista, completaria 100 anos em 26 de julho de 2026. Nascido em 1926, no sertão de Pernambuco, na região de Serra Talhada, ele construiu uma obra marcada pela combinação entre ritmos afro-brasileiros, linguagem orquestral e elementos do jazz.
Apesar da relevância de sua produção, o músico ainda é considerado pouco reconhecido no Brasil em comparação à influência que exerceu sobre diferentes gerações de artistas.
Uma de suas composições mais conhecidas é **“Nanã”**, criada a partir da inspiração em uma procissão religiosa. A música integrou a trilha de abertura do filme **“Ganga Zumba”** e recebeu letra de Mario Telles. Ao longo das décadas, foi gravada por artistas como Nara Leão, Sergio Mendes, Tim Maia, Kenny Burrell e Gil Evans.
Nanã, na tradição das religiões afro-brasileiras, é considerada a mais antiga entre as orixás. A canção se tornou uma das principais referências da obra de Moacir Santos.
A formação musical do artista começou ainda na infância, em contato com instrumentos de banda marcial. Na adolescência, ele deixou a casa da família e passou a circular pelo Nordeste, atuando em orquestras de circo e bandas militares.
Em João Pessoa, assumiu a regência da banda da Rádio Tabajara. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Rádio Nacional em 1948 como saxofonista. Três anos mais tarde, já trabalhava como arranjador da orquestra da emissora.
Moacir Santos estudou com o maestro César Guerra-Peixe e se tornou professor de nomes importantes da música brasileira, como Baden Powell, João Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira, Roberto Menescal, Carlos Lyra e Nara Leão.
Na década de 1960, participou de projetos de destaque como arranjador de álbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell. Também compôs trilhas para o cinema, parte delas reunidas no disco **“Coisas”**, lançado em 1965.
Considerado um marco de sua carreira, o álbum apresenta dez composições identificadas pelo título “Coisa” seguido de numeração. O trabalho reúne influências das bandas filarmônicas, das jazz bands e da pesquisa em torno de ritmos afro-brasileiros.
Em 1967, Moacir Santos deixou a Rádio Nacional e se mudou para os Estados Unidos. No país, seguiu atuando como professor e passou a compor trilhas para cinema, integrando equipes ligadas a maestros como Henry Mancini e Lalo Schifrin.
Nos anos 1970, lançou discos pela gravadora Blue Note, uma das mais importantes do jazz. Entre eles está **“Maestro”**, indicado ao Grammy. Nesse período, consolidou uma linguagem rítmica própria, associada à mistura de maracatu, ciranda, jazz e outras referências afro-diaspóricas.
Em 1985, foi homenageado no 1º Free Jazz Festival, onde se apresentou ao lado de Radamés Gnattali.
A obra de Moacir Santos voltou a ganhar destaque em 2001 com o projeto **“Ouro Negro”**, organizado por Zé Nogueira e Mario Adnet. O álbum contou com participações de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do próprio compositor.
Ao longo de sua trajetória, Moacir também teve parceria com Vinícius de Moraes nas composições **“Menino Travesso”** e **“Se Você Disser que Sim”**. O poeta ainda o homenageou nos versos de **“Samba da Bênção”**.
Moacir Santos morreu em 2006, aos 80 anos, em Los Angeles, onde vivia, em decorrência de um derrame.
As comemorações pelo centenário incluem eventos dedicados à sua obra. Em agosto, estão previstas aulas sobre sua produção no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, em São Paulo.
Duas décadas após sua morte, o centenário de nascimento de Moacir Santos recoloca em evidência a importância de um artista que aproximou ancestralidade, sofisticação harmônica e modernidade musical.



