sexta-feira, julho 24, 2026
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Petróleo ultrapassa US$ 100 após ataques no Mar Vermelho

**Petróleo Brent sobe 6% após ataques houthis a navios sauditas no Mar Vermelho**

O preço do petróleo voltou a registrar forte alta nesta quinta-feira (23), em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent subiu 6% e chegou a ser negociado a US$ 101 no início da tarde.

A valorização ocorreu após ataques dos houthis, do Iêmen, contra embarcações da Arábia Saudita no Mar Vermelho. O grupo também fechou o Estreito de Bab el-Mandeb para navios sauditas, uma rota estratégica para o transporte marítimo de petróleo e derivados.

A nova escalada aumenta a pressão sobre o comércio global de combustíveis e pode ter reflexos sobre a inflação em diferentes países. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), cerca de 10% do comércio marítimo de petróleo passa pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Mar Vermelho.

O mercado petrolífero já vinha enfrentando restrições de oferta há cinco meses, desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. As tensões também provocaram o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde circulava cerca de 20% do comércio marítimo de combustíveis.

Após a assinatura de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos, em 17 de junho, o preço do petróleo recuou e chegou a US$ 70 em 1º de julho, menor nível desde o início do conflito. Desde então, o Brent acumula alta de 42%.

A restrição no Bab el-Mandeb afeta especialmente a Arábia Saudita, uma das maiores produtoras globais de petróleo. O país utilizava rotas pelo Mar Vermelho como alternativa para escoar sua produção diante das limitações no Estreito de Ormuz.

O bloqueio também pode encarecer o frete internacional e pressionar cadeias logísticas. A rota pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez é uma das principais ligações entre Ásia, Europa e Estados Unidos.

Os houthis são aliados do Irã. Já a Arábia Saudita é uma parceira histórica dos Estados Unidos e rival regional de Teerã. O avanço das ações no Mar Vermelho marca uma nova fase da guerra no Oriente Médio, com impactos diretos sobre o transporte de energia e o abastecimento internacional.

O conflito também reacende tensões no Iêmen. As hostilidades no país haviam sido reduzidas após um acordo mediado pela China em 2022, considerado frágil. Nos últimos dias, ataques sauditas ao porto de Sanaa antecederam a reação dos houthis contra embarcações no Mar Vermelho.

Com a ampliação das áreas afetadas pelo conflito, analistas apontam risco de novas pressões sobre os preços internacionais dos combustíveis, especialmente em países dependentes da importação de petróleo e derivados.

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