terça-feira, julho 21, 2026
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Como o modelo do Pix desafia a influência financeira dos EUA no Brasil

O Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, passou a integrar a lista de temas observados pelo governo dos Estados Unidos em meio à justificativa para a aplicação de uma tarifa de 25% contra o Brasil durante a gestão de Donald Trump.

A inclusão do mecanismo no debate ocorre em um contexto de disputa sobre infraestrutura financeira e meios de pagamento eletrônicos. Criado e operado pelo Banco Central, o Pix reduziu a dependência de redes privadas internacionais em parte das transações realizadas no país.

Desde sua implementação, o sistema ampliou o acesso da população a serviços financeiros e transferiu para o ambiente bancário operações que antes eram feitas principalmente em dinheiro. A expansão também ocorreu em paralelo ao crescimento do mercado de cartões.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, o setor movimentou R$ 4,5 trilhões em 2025, alta de 10,1%.

Outro ponto citado no debate é a atuação internacional do Banco Central. A autoridade monetária brasileira mantém acordos de cooperação técnica com 47 países para compartilhar informações sobre a implementação de sistemas semelhantes ao Pix.

Sistemas nacionais de pagamento também entram na discussão sobre sanções financeiras. Redes sediadas nos Estados Unidos seguem determinações do governo norte-americano, o que pode afetar operações envolvendo países, empresas ou indivíduos submetidos a restrições.

Casos como o bloqueio econômico a Cuba e sanções impostas por Washington a autoridades estrangeiras são exemplos frequentemente associados ao uso do sistema financeiro como instrumento de pressão internacional.

A busca por alternativas próprias aos meios de pagamento dominados por empresas estrangeiras também ocorre na Europa. A União Europeia anunciou o projeto do euro digital, uma ferramenta pública e gratuita de pagamentos eletrônicos com projeto-piloto previsto para 2027.

A iniciativa europeia tem como objetivo reduzir a dependência de redes externas e fortalecer a autonomia financeira do bloco. O movimento se soma a outras experiências internacionais de criação de sistemas soberanos de pagamento, entre elas o Pix brasileiro.

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