**Brasil repudia tarifa de 25% imposta pelos EUA a produtos nacionais**
O governo brasileiro divulgou nota nesta quarta-feira (15) em reação à decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida está prevista para entrar em vigor no próximo dia 22.
A decisão norte-americana foi baseada em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo brasileiro, porém, afirma que não reconhece a legitimidade do procedimento e sustenta que a apuração não encontra respaldo nas normas multilaterais de comércio.
Segundo a Presidência da República, não há justificativa para a adoção de medidas unilaterais contra o Brasil. O Planalto informou ainda que acionará imediatamente os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade, além de recorrer aos instrumentos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A investigação do USTR foi iniciada há cerca de um ano e apontou práticas brasileiras consideradas prejudiciais a agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores dos Estados Unidos. Entre os temas citados estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Na nota, o governo brasileiro rejeita as acusações relacionadas ao Pix, à regulação de plataformas digitais e ao desmatamento. A Presidência afirma que o sistema de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública digital reconhecida internacionalmente e defende a atuação do país na proteção de usuários, especialmente crianças e famílias, no ambiente digital.
O governo também contesta as críticas ambientais e afirma que, desde 2023, intensificou ações contra ilícitos ambientais e reduziu o desmatamento nos biomas brasileiros.
A nota menciona ainda as audiências públicas realizadas pelo USTR na semana anterior. De acordo com o governo brasileiro, houve 78 manifestações de representantes do setor privado dos dois países, sendo 63 contrárias à adoção das tarifas.
A Presidência também destacou dados do próprio governo norte-americano segundo os quais os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nas relações comerciais com o Brasil nos últimos 15 anos. O texto informa ainda que, em 2025, 76% das importações brasileiras originárias dos EUA entraram no país sem cobrança de imposto de importação, com alíquota média efetiva de 3,1%.
O governo brasileiro afirmou que continuará adotando medidas para reduzir os impactos econômicos das tarifas e proteger setores afetados. Também informou que seguirá buscando ampliar parcerias comerciais e abrir novos mercados para produtos nacionais, no âmbito do Plano Brasil Soberano.



