quarta-feira, julho 15, 2026
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Prazo para tarifaço dos EUA termina nesta quarta sem expectativa de acordo

**Prazo dos EUA para decidir sobre tarifa adicional a produtos brasileiros vence nesta quarta**

Vence nesta quarta-feira (15) o prazo definido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para decidir se aplicará uma tarifa adicional de 25% sobre a importação de parte dos produtos brasileiros.

Até o momento, não há indicação de acordo entre os dois países. As negociações enfrentam impasses em temas como o Pix, o etanol e o açúcar, além de questionamentos norte-americanos sobre práticas comerciais e ambientais do Brasil.

O USTR abriu o processo com base na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos, instrumento usado para investigar supostas práticas comerciais consideradas desleais. Entre os pontos citados pelo órgão estão o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o mercado de etanol, o desmatamento ilegal e outras áreas da relação bilateral.

Um dos principais obstáculos é a recusa do Brasil em negociar mudanças no Pix. O sistema, operado pelo Banco Central, tornou-se um dos temas incluídos pelos Estados Unidos na investigação comercial.

Outro ponto sensível envolve o etanol. Washington busca a eliminação de tarifas brasileiras sobre o produto importado dos Estados Unidos. O governo brasileiro, por sua vez, tenta manter o setor fora da negociação ou vincular qualquer concessão à redução das barreiras impostas pelos norte-americanos ao açúcar produzido no Brasil.

O açúcar brasileiro enfrenta forte taxação para entrar no mercado dos Estados Unidos. A posição brasileira é que as duas cadeias produtivas estão relacionadas e devem ser tratadas de forma equilibrada.

Entidades do setor sucroenergético no Brasil defendem a manutenção da proteção ao etanol nacional. Entre elas estão a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a União Nacional do Etanol de Milho e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. As organizações afirmam que a redução das importações de etanol dos Estados Unidos também está ligada ao crescimento da produção interna brasileira.

O Ministério das Relações Exteriores contestou as acusações apresentadas pelo USTR e reforçou que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é relevante para os dois países. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços também tem defendido que o etanol seja preservado nas tratativas, por se tratar de um setor considerado estratégico, especialmente para o Nordeste.

A possível sobretaxa ocorre em um momento de maior tensão na política comercial dos Estados Unidos para a América Latina, sob o governo Donald Trump. A estratégia norte-americana busca ampliar a influência de Washington no continente em meio ao avanço econômico e tecnológico da China na região.

Caso a tarifa adicional seja confirmada, parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos poderá ficar mais cara, aumentando o custo da relação comercial entre os dois países e ampliando as dificuldades para um entendimento de curto prazo.

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