domingo, março 29, 2026
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Gastos com apostas atrasam formação de 34% dos jovens em 2025

Gastos com apostas esportivas online impactam acesso à graduação

Um estudo realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) em parceria com o instituto Educa Insights revela que 33,8% dos apostadores entrevistados afirmam que suas despesas com apostas online estão interferindo em seu ingresso em cursos de graduação. A pesquisa, intitulada “O Impacto das Bets 2”, foi conduzida entre 20 e 24 de março de 2025 e analisou como as apostas têm afetado a educação superior no Brasil.

Os dados mostram que 34,4% dos participantes da pesquisa precisarão restringir seus gastos com apostas para conseguir efetivar sua matrícula em 2026. Em comparação com a edição anterior da pesquisa, publicada em setembro de 2024, esses números indicam uma preocupação crescente, especialmente entre jovens das classes C e D.

A pesquisa abordou 11.762 entrevistas, resultando em 2.317 respostas completas de jovens entre 18 e 35 anos, abrangendo todas as regiões e classes sociais do país. O perfil dos apostadores apresentados é semelhante ao do levantamento anterior: 85% são homens, 85% têm emprego, 72% possuem filhos e 38% pertencem à classe B, enquanto 37% estão na classe C.

Entre aqueles que já estão cursando o ensino superior, 14% relataram dificuldade em manter o pagamento das mensalidades devido aos gastos com apostas. Para os ingressantes em instituições privadas, 35% afirmam que precisarão diminuir os investimentos nas apostas.

Com base no Censo da Educação Superior de 2023, a Abmes estima que cerca de 986.779 alunos poderão ter seu acesso à educação superior afetado em 2026, por conta do impacto financeiro das apostas.

A pesquisa também aponta que metade dos entrevistados considera as apostas uma atividade frequente, com a maioria apostando de uma a três vezes por semana, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste. O gasto médio superou os R$350, com um crescimento de 30,8% em setembro de 2024 para 45,3% em abril de 2025.

Além disso, os dados revelam que 30,3% dos apostadores não conseguiram recuperar parte dos valores investidos, uma leve melhora em relação a 2024, quando esse índice era de 22,9%.

Os danos não se restringem ao campo educacional. Segundo o levantamento, as apostas impactaram hábitos de vida, resultando em 28,5% dos entrevistados que pararam de frequentar restaurantes ou sair com amigos, 23,6% que deixaram de se exercitar e 20,9% que abandonaram cursos ou atividades de aprendizado.

A Abmes defende a necessidade de regulamentação do setor, com limites e políticas públicas que promovam a conscientização sobre os riscos envolvidos nas apostas. A entidade sugere a promoção de campanhas educativas para abordar os perigos do uso excessivo das plataformas de apostas, afetando diversos setores sociais, incluindo instituições de ensino.

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