domingo, maio 24, 2026
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Protestos na Bolívia: 23 bloqueios e marchas antigoverno chegam a La Paz

Protestos na Bolívia mantêm a pressão pela renúncia do presidente Rodrigo Paz, que está há seis meses no cargo. Nesta segunda-feira (18), a Administradora Boliviana de Estradas (ABC) registrou 23 bloqueios em rodovias do país.

Treze desses bloqueios ocorrem nos arredores de La Paz. Há também interdições em estradas que ligam a capital a Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba.

As marchas e os bloqueios têm provocado desabastecimento de alimentos, combustíveis e outros insumos nos mercados de La Paz. Grupos de manifestantes permanecem concentrados nas imediações da cidade, com previsão de avanço em direção ao centro, onde estão os órgãos do Executivo.

No fim de semana, as forças de segurança atuaram para dispersar protestos em diversos pontos de El Alto, na região metropolitana de La Paz. A Defensoria Pública da Bolívia informou que os confrontos resultaram em 47 prisões e cinco feridos no sábado (16). Organizações camponesas relatam ainda ao menos dois manifestantes mortos em El Alto.

A Defensoria também registrou relatos de ataques, obstrução do trabalho da imprensa e confrontos entre manifestantes e moradores em alguns pontos de bloqueio.

O movimento de oposição reúne camponeses, povos indígenas, mineiros, professores e outros setores sociais. As manifestações começaram a ganhar força após um decreto do presidente, em dezembro de 2025, que retirou o subsídio à gasolina. A situação escalou com a promulgação de uma nova lei sobre terras, vista por camponeses e indígenas como prejudicial aos pequenos agricultores e favorável ao agronegócio. O governo afirmou que a proposta tinha o objetivo de fortalecer a agricultura diante de uma grave crise econômica.

Por pressão popular, a legislação foi revogada por Rodrigo Paz na semana passada. Mesmo assim, os protestos persistiram e atraíram novas adesões.

Entre as organizações que intensificaram a mobilização está a Confederação Nacional de Mulheres “Bartolina Sisa”, que convocou entidades locais a se somarem às marchas e aos bloqueios e passou a exigir a saída do presidente, além de denunciar repressão e perdas humanas resultantes das ações policiais e militares.

O governo, por sua vez, acusa grupos populares de emprego de armas de fogo e explosivos nas mobilizações. Foi divulgado um vídeo que, segundo a Presidência, mostraria integrantes dos Ponchos Vermelhos armados em uma rodovia. A Presidência também vinculou parte dos atos a setores próximos ao ex-presidente Evo Morales e anunciou medidas para prender quem portar artefatos capazes de ferir outras pessoas.

O ex-presidente Evo Morales negou ser responsável pelas mobilizações, fez críticas ao uso das Forças Armadas no enfrentamento aos protestos e contestou a criminalização das marchas.

A Central Operária Boliviana (COB) informou sobre prisões de lideranças e convocou a população a manter as ruas ocupadas. A mobilização permanece em curso e a situação política e social do país segue com elevado grau de tensão.

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