domingo, maio 24, 2026
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Movimento exige tratamento adequado e garantia de direitos para pacientes com fibromialgia

Mobilizações em diferentes cidades marcaram este domingo (17) para alertar sobre a fibromialgia e cobrar políticas públicas que garantam direitos e tratamento adequado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Brasília, a ação aconteceu no Parque da Cidade. Os organizadores ofereceram sessões de acupuntura e liberação miofascial, além de orientações sobre fisioterapia, abordagens psicológicas e atividades de conscientização sobre a síndrome.

A fibromialgia é uma condição crônica caracterizada por dores musculares e articulares difusas, frequentemente acompanhadas de fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldades de concentração e alterações de humor. Não provoca inflamações visíveis nem deformações, mas pode comprometer a qualidade de vida e a capacidade para tarefas diárias e trabalho.

No Brasil, uma lei federal de 2023 estabeleceu diretrizes para o atendimento a pessoas com fibromialgia no SUS. A norma prevê atendimento multidisciplinar, incentivo à divulgação de informações sobre a doença e capacitação de profissionais de saúde. Apesar disso, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado via SUS ainda é insuficiente em muitos locais.

O marco legal também equipara temporariamente os direitos de pessoas com fibromialgia aos de pessoas com deficiência, mediante aprovação em avaliação biopsicossocial. A legislação prevê possibilidade de acesso a benefícios como auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença), aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), conforme critérios aplicáveis.

A síndrome é mais frequentemente observada em mulheres entre 30 e 60 anos, mas pode afetar qualquer idade e gênero. As causas não são totalmente elucidadas; estudos apontam para alterações na forma como o sistema nervoso central processa a dor — um fenômeno conhecido como sensibilização central. Fatores como estresse prolongado, traumas físicos ou emocionais, transtornos ansiosos, depressão e predisposição genética podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Os principais sinais incluem dor persistente por mais de três meses, sensibilidade ao toque, cansaço contínuo, sono não reparador, rigidez muscular e comprometimento de memória e atenção — a chamada “névoa mental”. Podem ocorrer também cefaleia, síndrome do intestino irritável e maior sensibilidade a estímulos como ruídos e luz.

O diagnóstico é clínico e feito pela exclusão de outras condições com sintomas semelhantes. O tratamento é multidisciplinar: medicamentos para controle da dor e dos sintomas associados, programas de exercícios regulares (caminhada, hidroginástica, alongamentos), fisioterapia, psicoterapia, técnicas de relaxamento e mudanças no estilo de vida. Embora não exista cura definitiva, a combinação dessas medidas permite o controle dos sintomas e a manutenção da qualidade de vida para muitos pacientes.

A visibilidade reduzida da doença no país reflete-se na escassez de dados sobre sua prevalência, o que dificulta planejamento e oferta de serviços especializados.

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