domingo, maio 24, 2026
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Cúpula do BRICS na Índia termina sem declaração conjunta

Os ministros das Relações Exteriores dos países do Brics não conseguiram aprovar uma declaração conjunta ao final de reunião de dois dias em Nova Délhi, encerrada na sexta-feira (15). A Índia, país anfitrião, divulgou apenas uma nota da presidência que destacou divergências entre os membros.

O Irã buscava que o bloco condenasse o que classificou como ações dos Estados Unidos e de Israel contra o país. Teerã também acusou os Emirados Árabes Unidos de envolvimento direto em operações militares contra seu território. O documento recorda que o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra os Emirados em diversas ocasiões desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

A nota final assinada pela presidência indiana registra a existência de posições divergentes sobre a situação no Oriente Médio e na Ásia Ocidental. Um dos membros apresentou reservas específicas sobre os trechos relativos à Faixa de Gaza, segundo o texto.

No balanço da reunião, a presidência informou que os países-membros expuseram diferentes perspectivas, que vão desde a defesa de uma resolução rápida da crise e do uso da diplomacia até a ênfase no respeito à soberania e à integridade territorial.

Também estiveram na pauta a importância da observância do direito internacional, a garantia de comércio marítimo seguro pelas rotas internacionais e a proteção de infraestruturas e vidas civis.

Sobre a questão palestina, a nota registra que os ministros lembraram que a Faixa de Gaza integra o Território Palestino Ocupado. O documento apontou a relevância da unidade entre Cisjordânia e Faixa de Gaza sob a Autoridade Palestina e reafirmou o direito do povo palestino à autodeterminação e à criação de um Estado independente, embora tenha havido reservas de um membro quanto a partes desse trecho.

Como país que preside o bloco em 2026, a Índia ressaltou, na nota, o apelo dos membros para que o Sul Global permaneça unido diante dos desafios internacionais, que incluem tensões geopolíticas, dificuldades econômicas, avanços tecnológicos, medidas protecionistas e pressões migratórias.

Composição do Brics

O bloco conta atualmente com 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia.

Além disso, há dez países-parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.

A categoria de país-parceiro foi criada na Cúpula de Kazan, na Rússia, em outubro de 2024. Os parceiros são convidados a participar dos encontros e debates, mas apenas os países-membros têm poder de deliberação, incluindo o voto para referendar declarações finais.

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