quarta-feira, maio 13, 2026
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Trump visita Xi Jinping na China enquanto guerra no Irã se transforma em atoleiro

A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China para encontro com Xi Jinping ocorre na noite desta quarta-feira (13), no horário de Brasília. O encontro acontece em um momento de tensão internacional por conta da guerra no Irã, que tem impactos nas relações exteriores e na economia global.

A China virou alvo central da política econômica de Washington desde o início do segundo mandato de Trump. Em abril de 2025, o governo norte-americano lançou uma guerra tarifária contra produtos chineses, com o objetivo de conter a liderança econômica e tecnológica de Pequim.

Pequim reagiu às medidas de Washington com várias contramedidas, incluindo restrições à exportação de terras raras — minerais essenciais para setores tecnológicos, de defesa e de transição energética. Essas medidas contribuíram para que a administração americana esvaziasse a imposição de tarifas mais altas sobre produtos chineses.

A ofensiva militar lançada por Washington contra o Irã, no final de fevereiro, também afetou interesses chineses. A China era a principal compradora do petróleo iraniano e tem interesse na reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% do petróleo mundial antes do início do conflito.

O encontro entre Trump e Xi havia sido inicialmente marcado para o final de março, mas foi adiado em razão da escalada do conflito no Oriente Médio. Nas últimas semanas, houve movimentações diplomáticas entre Teerã, Pequim e Moscou, incluindo visita do ministro das Relações Exteriores do Irã a Pequim e a Moscou, em busca de mediação para um cessar-fogo.

Na agenda bilateral estão temas sensíveis como a venda de armamentos dos EUA para Taiwan e o controle sobre tecnologias estratégicas. A China mantém a política da “uma só China” e se opõe a reconhecimentos de independência de Taiwan. Além disso, a condição de fornecimento de minerais críticos e terras raras tende a ser tema central das conversas, dado o papel da China como líder mundial na produção desses insumos.

Do ponto de vista legislativo e regulatório, a China começou recentemente a aplicar a lei anti-sanções aprovada em 2021, que impede empresas chinesas de reconhecerem sanções impostas por terceiros, em resposta a medidas punitivas adotadas por Washington contra empresas que mantêm negócios com o Irã.

A disputa entre China e EUA tem reflexos diretos sobre a América Latina. A China é, atualmente, o principal parceiro comercial da maioria dos países sul-americanos, inclusive do Brasil, enquanto até os anos 2000 os Estados Unidos ocupavam essa posição.

O Brasil dispõe de reservas significativas de minerais críticos: o país detém cerca de 22% dessas reservas a nível global, a segunda posição apenas atrás da China. Esse dado coloca o país em posição relevante no contexto da rivalidade sino-americana por recursos estratégicos e pode influenciar negociações comerciais e políticas futuras.

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