terça-feira, maio 12, 2026
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Passageiros desembarcam de navio após surto de hantavírus

Passageiros e tripulantes do navio MV Hondius começaram a ser retirados da embarcação na manhã deste domingo (10), quase um mês após um surto de hantavírus que já matou três pessoas a bordo.

Os primeiros a desembarcar foram 14 espanhóis — 13 passageiros e um tripulante — por volta das 5h30 (horário de Brasília). Segundo o Ministério da Defesa da Espanha, mais de 30 militares da Unidade Militar de Emergências (UME) participaram da operação, exigindo trajes de proteção especiais para todos os evacuees.

Do porto de Granadilla, em Tenerife, os espanhóis seguiram de ônibus até o Aeroporto de Tenerife Sul e embarcaram em um avião militar com destino à Base Aérea de Torrejón, próxima a Madri. Lá, foram encaminhados ao Hospital Gómez Ulla.

Na sequência, deixou o navio um grupo de cinco franceses submetido aos mesmos protocolos de segurança. Autoridades francesas informaram que, durante o voo para Paris, um desses passageiros — até então assintomático — passou a apresentar sintomas compatíveis com hantavírus.

A operadora do cruzeiro, a holandesa Oceanwide Expeditions, informou que o MV Hondius transporta 102 passageiros e 47 tripulantes de diversas nacionalidades. O desembarque está sendo organizado conforme a chegada dos voos de repatriação.

Logística da evacuação

A remoção dos ocupantes vem sendo realizada com lanchas a partir do navio atracado em Granadilla. Em linha com diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cada pessoa deverá ser transportada por via aérea para seu país de origem e permanecer em quarentena.

As autoridades preveem que a operação, considerada complexa, se prolongue pelo menos até a tarde da segunda-feira (11). A Oceanwide informou que, após o desembarque de todos os passageiros e de parte da tripulação — cerca de 30 membros devem permanecer a bordo — o navio será reabastecido e receberá suprimentos antes de seguir para o porto de Rotterdam, na Holanda, em viagem estimada em cinco dias.

Casos e evolução do surto

A OMS registrou, até a manhã deste domingo, pelo menos seis casos confirmados de hantavírus entre os viajantes, incluindo as três mortes. Outros dois casos suspeitos ainda estão sob investigação.

O MV Hondius saiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril. Dez dias depois, um passageiro holandês morreu a bordo; o corpo foi desembarcado em 24 de abril na ilha britânica de Santa Helena. Três dias após o desembarque, a esposa do primeiro morto, também holandesa, adoeceu e faleceu. Um terceiro passageiro, de nacionalidade alemã, morreu a bordo em 2 de maio.

Sobre o hantavírus

O hantavírus é geralmente transmitido por roedores, como ratos. Em situações raras, a transmissão entre pessoas pode ocorrer, mas exige contato muito próximo, por meio de saliva ou secreções respiratórias. Os sintomas iniciais incluem febre e dores no corpo, podendo evoluir para dificuldade respiratória e cansaço extremo.

Repercussão e medidas locais

Autoridades locais de Tenerife chegaram a solicitar que o navio fosse impedido de atracar na ilha. A OMS classificou o agente identificado como a cepa andina do hantavírus e avaliou que o risco de transmissão para a população em geral de Tenerife é baixo. A organização também informou que não havia passageiros sintomáticos a bordo no momento da avaliação, que um especialista da OMS estava a bordo e que suprimentos médicos e um plano operacional das autoridades espanholas estavam em vigência.

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