Após encontro na Casa Branca, em Washington, equipes do Brasil e dos Estados Unidos deverão apresentar, em cerca de 30 dias, uma proposta para tentar encerrar o impasse sobre tarifas de exportação e a investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil com base na Seção 301 da lei de comércio norte-americana.
A apuração norte-americana, iniciada no ano passado, aponta práticas de concorrência desleal envolvendo medidas como o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual. Em abril, técnicos brasileiros se reuniram com autoridades dos EUA para prestar esclarecimentos contra essas alegações. O governo brasileiro não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, por inconsciência com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O encontro entre os presidentes durou mais de três horas e incluiu um almoço na residência oficial. A reunião já havia sido negociada entre as equipes de ambos os países com a pauta incluindo comércio, combate ao crime organizado, matérias-primas críticas e geopolítica.
Na área de segurança, as delegações definiram cooperação para reduzir o poder financeiro de organizações criminosas transnacionais que atuam nos dois países. Está prevista a realização de operações conjuntas entre a Receita Federal brasileira e a contraparte norte-americana para bloquear contrabando de armas e outros produtos, além de combater o tráfico ilegal de drogas sintéticas.
Os Estados Unidos também avaliam a possibilidade de alterar a designação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas, questão que gera preocupação entre autoridades brasileiras por possíveis impactos à soberania e à eficácia das ações de combate ao crime.
No campo dos minerais críticos, a pauta incluiu a aprovação, no dia 6, da lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O texto prevê a criação de um comitê para definir quais minerais serão considerados estratégicos. O Brasil tem reserva estimada em cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, a segunda maior entre áreas já mapeadas, atrás da China, com cerca de 44 milhões de toneladas. Apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, indicando potencial adicional de exploração e processamento.
A delegação brasileira entregou aos Estados Unidos uma lista de autoridades e familiares que ainda enfrentam restrições de vistos, medidas atribuídas a retaliações relacionadas ao julgamento dos atos de 8 de janeiro de 2023. Parte das sanções foi suspensa, mas algumas pessoas permanecem com restrições.
Integraram a comitiva os ministros das Relações Exteriores, da Justiça e Segurança Pública, da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, de Minas e Energia, além do diretor-geral da Polícia Federal.
O histórico das relações comerciais entre os dois países registra elevação das tensões desde 2025, iniciadas com a imposição de tarifas de 25% sobre aço e alumínio. Em abril, os EUA aplicaram tarifas adicionais a diversos produtos brasileiros sob alegação de falta de reciprocidade. O Brasil respondeu com ações diplomáticas e medidas de reciprocidade, além de levar o caso à OMC.
No final de 2025 e no início deste ano houve recuos parciais por parte dos EUA, com exclusões de produtos e a adoção temporária de uma tarifa global de cerca de 10%, mas setores como aço e alumínio ainda operam com taxas elevadas.
A comitiva brasileira retorna a Brasília ainda nesta noite, com chegada prevista para sexta-feira (8).



