terça-feira, maio 12, 2026
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Combater a violência é desafio para 71,7% dos gestores escolares

Sete em cada dez gestores de escolas públicas (71,7%) apontam dificuldade para dialogar no ambiente escolar sobre enfrentamento às violências, como bullying, racismo e capacitismo. A constatação consta de pesquisa realizada com 136 gestores de 105 escolas — 59 municipais e 46 estaduais.

O levantamento foi divulgado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC). O objetivo é subsidiar a elaboração do novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras, cuja divulgação estava prevista para esta quinta-feira (7) no canal do MEC.

O estudo indica que o tratamento de situações de violência nas escolas envolve complexidade e demanda preparo, apoio institucional e ações planejadas. Também identifica a naturalização de agressões em alguns ambientes e a presença de contextos de violência fora dos muros escolares, além de dificuldades para envolver famílias e a comunidade nas ações de prevenção e intervenção.

O termo bullying é tratado no levantamento como forma específica de violência física ou psicológica, geralmente repetida, que causa danos físicos, sociais e emocionais às vítimas. A pesquisa observa ainda que o uso genérico do termo pode ocultar manifestações particulares de violência, como racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero.

Principais constatações da pesquisa:
– 67,9% dos gestores relatam desafios na aproximação entre escola, famílias e comunidade;
– 64,1% apontam entraves na construção de bons relacionamentos entre estudantes;
– 60,3% indicam dificuldade em desenvolver o sentimento de pertencimento dos alunos;
– 60,3% reconhecem problemas na relação entre estudantes e professores;
– 49% registram desafios para promover o sentimento de segurança entre os estudantes;
– 71,7% relatam dificuldade em dialogar sobre enfrentamento às violências no ambiente escolar.

A investigação também analisou a organização das unidades de ensino para promover um clima escolar positivo. Mais da metade (54,8%) informou nunca ter realizado um diagnóstico estruturado do clima escolar, etapa considerada pelos pesquisadores essencial para orientar políticas de convivência e aprendizagem.

Quanto à estrutura de ação, 67,6% das unidades dispõem de equipe responsável por iniciativas de melhoria do clima escolar. Nas 32,4% restantes, essas ações ficam sob responsabilidade direta da gestão. O estudo aponta sobrecarga de trabalho entre profissionais da escola e destaca que, diante de urgências, a tendência é atuar de forma reativa em vez de preventiva e planejada.

O levantamento relaciona de maneira contundente clima escolar positivo e desempenho pedagógico, indicando que ambientes de confiança e respeito favorecem o bem-estar e a aprendizagem com mais qualidade e equidade.

A pesquisa foi aplicada em escolas de dez estados — Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo — entre março e julho de 2025.

Na mesma semana da divulgação do estudo, o governo federal recriou um grupo de trabalho no MEC para subsidiar políticas de combate ao bullying e ao preconceito na educação. O grupo, composto por áreas técnicas do ministério, tem prazo inicial de 120 dias para elaborar um relatório com conclusões e propostas.

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