O programa Caminhos da Reportagem exibe nesta segunda-feira (27) a edição “O boom das canetas emagrecedoras”. A reportagem vai ao ar às 23h na TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
As chamadas “canetas emagrecedoras” estão no centro de debates sobre saúde desde a introdução da primeira no Brasil, em 2017. Desde então, outras tecnologias para tratamento de diabetes e obesidade passaram a ser comercializadas no país. Esses medicamentos também são referidos, por especialistas, como medicamentos injetáveis para tratamento da obesidade e do diabetes.
Caso clínico apresentado na reportagem mostra uma paciente de 58 anos com diabetes tipo 2, diagnosticada aos 45 anos após um desmaio em transporte público. A mulher faz uso de insulina e mantém o diabetes de difícil controle.
O acesso aos medicamentos está diretamente ligado a questões regulatórias e econômicas. Em 20 de março deste ano expirou a patente da semaglutida, princípio ativo presente em remédios como Ozempic e Wegovy, o que permite a entrada de concorrentes no mercado. Ainda assim, analistas apontam que a produção do insumo farmacêutico ativo é mais complexa que a de genéricos, o que pode limitar a redução de preços.
Em nota, o Ministério da Saúde informou ter pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prioridade no registro de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, com vistas à futura produção nacional. A pasta também registrou que, em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) emitiu parecer desfavorável à incorporação desses fármacos ao sistema público, citando impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões — valor equivalente ao dobro do orçamento anual do Programa Saúde Popular.
No plano social, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) apontam que a popularização desses medicamentos intensificou uma “economia moral da magreza”, em que corpos magros são associados a comportamentos virtuosos e corpos gordos sofrem estigmatização. Estudos também têm avaliado efeitos colaterais decorrentes do uso dos injetáveis.
A reportagem registra ainda relatos de pacientes que já utilizaram as canetas, enfrentaram ganho de peso posterior e buscam novos tratamentos, em contextos que incluem perimenopausa, pré-diabetes e transtornos de ansiedade.
Sociedades médicas recomendam que o tratamento farmacológico seja acompanhado por mudanças no estilo de vida, com orientação nutricional e incentivo à atividade física, medidas consideradas essenciais para reduzir o risco de recuperação do peso perdido.
O aumento da oferta e da demanda por esses medicamentos também trouxe irregularidades em etapas como importação, manipulação, prescrição e dispensação. Diante desse cenário, a Anvisa reforçou a fiscalização, e forças de segurança, com apoio da Receita Federal, investigam possíveis crimes contra a saúde pública e contra a economia nacional.



