O Brasil contabiliza mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e caminha para se tornar o quinto país do mundo com maior população idosa. Esse grupo movimenta cerca de R$ 2 trilhões na economia, segundo estudo da consultoria Data8.
Essa força econômica reúne tanto consumidores quanto empreendedores da chamada economia prateada. Para capturar esse mercado em expansão, empresas e serviços precisam adaptar seus modelos de negócio a novas demandas, como melhor iluminação, sinalização visível, acessibilidade, atendimento mais acolhedor e processos de compra simplificados.
Setores com maior potencial para atender a esse público incluem saúde e bem‑estarem — com academias e programas de treino adaptados voltados à funcionalidade —, telemedicina e monitoramento remoto, além de serviços de cuidadores organizados como microempreendedores individuais (MEI).
Turismo e lazer também se destacam, em especial operadores que oferecem pacotes fora da alta temporada, roteiros culturais e experiências. Serviços financeiros especializados em planejamento para uma aposentadoria ativa e soluções habitacionais com acessibilidade e adaptações arquitetônicas completam o leque de oportunidades.
O comércio eletrônico tem registrado crescimento entre consumidores com 60 anos ou mais, mas especialistas apontam para a necessidade de fortalecer o engajamento digital desse público, que enfrenta maior risco de golpes. Em resposta, surgem iniciativas de capacitação digital voltadas para a terceira idade.
Caso prático: a Mel Mania, microempresa criada em junho de 2024, posicionou-se para atender especialmente clientes 60+. A marca vende mel para todo o país e adotou modelo de capacitação gratuita para pessoas com espaços ociosos, fornecendo equipamentos e comprando a produção. A iniciativa já inseriu 112 pessoas na apicultura e adotou formatos de venda recorrente que incluem consumidores na faixa dos 80 anos.
No Rio de Janeiro, o Sebrae mantém o projeto Sebrae Economia Prateada, atualmente em sua terceira edição, com a próxima turma prevista para começar em maio. Até o momento, 144 pessoas foram atendidas. O perfil dos participantes é majoritariamente feminino e envolve atividades em gastronomia, economia criativa, artesanato, moda, beleza e consultoria de serviços.
O programa trabalha em parceria com instituições como o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o governo estadual para ampliar o alcance. Em outubro do ano passado, empreendedores sêniores correspondiam a 16% do total de donos de negócios no estado do Rio de Janeiro.
Com o envelhecimento da população vem também uma maior participação social e econômica das pessoas mais velhas. Para muitos, o empreendedorismo tem servido como alternativa diante das barreiras etárias no mercado de trabalho formal.



