Em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo, a peça Restinga de Canudos traz à cena as histórias anônimas da Guerra de Canudos. A montagem da Companhia do Tijolo foi premiada no ano passado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como melhor direção.
O espetáculo revisita o conflito ocorrido entre 1896 e 1897 no sertão baiano, deslocando o foco do habitual destaque a Antônio Conselheiro para as experiências vividas por moradores comuns. A narrativa enfatiza o papel das mulheres educadoras na comunidade e presta homenagem às pessoas que perderam a vida durante a guerra.
No elenco e na encenação, a história é contada a partir de duas professoras, acompanhadas por agricultores, beatos rezadores, cantadores, um indígena e um praticante do culto afro-indígena da Jurema Sagrada.
Desde sua formação, há quase 20 anos, a Companhia do Tijolo desenvolve pesquisas sobre o pensamento de Paulo Freire — referência presente no próprio nome do grupo, que remete ao exemplo de alfabetização entre trabalhadores da construção civil. A peça sobre Canudos integra a continuidade dessas investigações sobre educação popular.
Restinga de Canudos fica em cartaz até 26 de abril, com sessões de quinta a domingo. A reserva de ingressos é feita na terça-feira da semana da apresentação, por meio do site do Itaú Cultural.



