Dourados amanheceu na segunda-feira (14) com faixas de protesto espalhadas por diversos pontos da cidade, denunciando a situação dos médicos que atuam na UPA e no Hospital da Vida.
O vereador Franklin Schmalz (PT) vinha recebendo questionamentos de profissionais de saúde desde a semana anterior e levou o tema à tribuna da Câmara durante a sessão de segunda-feira (13).
O motivo das manifestações foi a redução no valor pago por hora/plantão aos médicos. A mudança ocorreu após a FUNSAUD, responsável pela gestão das unidades, realizar processo licitatório para contratar nova empresa de prestação de serviços médicos. Venceu a proposta de menor preço, o que resultou na diminuição da remuneração dos profissionais.
Profissionais alertam para o risco de desinteresse e abandono de postos. Relatos apontam que cerca de 50 médicos que atuam na UPA e no Hospital da Vida podem deixar as unidades diante da redução salarial, o que tende a impactar o atendimento à população.
Em resposta à situação, o vereador apresentou requerimento solicitando explicações à FUNSAUD sobre os possíveis efeitos da medida na continuidade e na qualidade dos serviços.
Durante o pronunciamento, o parlamentar também criticou o modelo de gestão adotado pela fundação, que prevê a contratação de empresas terceirizadas para intermediar a contratação de médicos.
No início de 2025, a FUNSAUD promoveu corte do adicional de insalubridade de trabalhadores da saúde, atingindo profissionais da enfermagem, setores administrativos, limpeza e cozinha. Em alguns casos, a redução chegou a 40% dos ganhos.
Franklin cobrou ainda providências do prefeito Marçal Filho com base em uma auditoria concluída em agosto de 2025, ao custo de R$ 91 mil, que até o momento não teria resultado em medidas concretas.
Entre os problemas apontados estão o endividamento da fundação, superior a R$ 80 milhões, queixas da população sobre demora no atendimento, filas e falta de estrutura, além de relatos de assédio, perseguição e desvalorização no ambiente de trabalho.



