O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, publicou uma carta extensa em inglês na rede social X na quarta-feira (1º) dirigida ao povo dos Estados Unidos e a quem busca informações sobre o país persa.
Na mensagem, Pezeshkian novamente citou intervenções estrangeiras ao longo da história iraniana e criticou a presença militar dos Estados Unidos nas proximidades do território iraniano. Ele classificou as ações recentes lançadas a partir dessas bases como ameaçadoras e apresentou as medidas iranianas como respostas de defesa.
O presidente recordou o golpe de Estado de 1953, conhecido como Operação Ajax, promovido pelos Estados Unidos com apoio do Reino Unido após a nacionalização do petróleo sob o primeiro‑ministro Mohammad Mossadegh. Segundo o texto, esse episódio interrompeu o processo democrático no Irã e contribuiu para uma longa desconfiança em relação às políticas norte‑americanas.
A carta também abordou episódios posteriores que, segundo Pezeshkian, agravaram esse antagonismo: o apoio americano ao xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra Irã‑Iraque na década de 1980, a imposição de sanções duras e ataques militares ocorridos mesmo em momentos de negociação.
Pezeshkian destacou ainda avanços internos atribuídos ao país desde a Revolução Islâmica, citando aumento da alfabetização, expansão do ensino superior, progresso em tecnologia, melhorias em saúde e desenvolvimento de infraestrutura. Ao mesmo tempo, admitiu o impacto negativo das sanções e dos bombardeios sobre a população civil.
O presidente acusou os Estados Unidos de terem se retirado de acordos e de escalado rumo ao confronto, com episódios de agressão enquanto negociações estavam em curso. Ele também questionou o papel de Israel na promoção do conflito e afirmou que ataques contra infraestrutura energética e industrial atingem diretamente a vida dos iranianos.
Os ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, sem perspectiva concreta de um acordo que ponha fim às hostilidades. Entre os mortos no conflito foram listadas autoridades importantes do Irã, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, segundo o relato publicado.
O confronto levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, passagem controlada pelo Irã por onde circulam cerca de 20% dos carregamentos de petróleo globalmente. Como consequência, o preço do barril subiu aproximadamente 50%. Pesquisadores têm apontado riscos ambientais e climáticos vinculados ao conflito.
Ainda nesta quarta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve fazer um pronunciamento à nação sobre a guerra, com transmissão prevista para as 22h (horário de Brasília).



