quarta-feira, março 25, 2026
InícioMundoLula propõe integração regional e gestão soberana dos minerais críticos

Lula propõe integração regional e gestão soberana dos minerais críticos

Durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino‑Americanos e Caribenhos (Celac), em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que países da região tenham participação em todas as etapas das cadeias de valor dos minerais críticos presentes no território latino‑americano e caribenho. O discurso foi lido pelo chanceler Mauro Vieira no sábado (21).

O presidente ressaltou que a América Latina possui a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e terras raras, insumos essenciais para a fabricação de chips, baterias e painéis solares. Segundo ele, a exploração desses recursos deve incluir extração, beneficiamento, produção final e reciclagem, com objetivo de promover desenvolvimento interno em vez de apenas exportar matéria‑prima.

No campo econômico, Lula defendeu o fortalecimento da integração regional como resposta ao atual cenário de instabilidade política e geopolítica. Entre as propostas estão a ampliação do comércio intrarregional, a integração das cadeias produtivas e o fortalecimento de blocos como o Mercosul, considerados instrumentos para aumentar soberania e promover desenvolvimento.

O presidente também destacou a importância de manter diálogo com parceiros externos, como China, União Europeia e países africanos, e apontou o paradoxo de uma região rica em energia, biodiversidade e agricultura que ainda enfrenta grandes desigualdades e dependência tecnológica, o que, segundo ele, demanda liderança política para romper o ciclo de subdesenvolvimento.

Na área de infraestrutura, Lula enfatizou a necessidade de rotas integradas por terra, água e ar, conectando Atlântico e Pacífico, e a interligação das redes elétricas dos países da região, medida vista como capaz de garantir oferta e reduzir custos de energia, especialmente diante de riscos a cadeias de suprimentos globais.

Sobre segurança, o presidente afirmou que a desarticulação regional favorece o crime organizado e defendeu cooperação entre os países para atingir toda a cadeia de comando das organizações criminosas. Entre as medidas apontadas estão o combate a fraudes, o controle do fluxo de armas provenientes de países ricos, o enfrentamento à lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e a regulação do uso de criptomoedas.

O governo brasileiro apresentou o Projeto de Lei Antifacção, destinado a dar mais agilidade e eficiência às investigações, asfixiar o financiamento de facções e aprimorar mecanismos de responsabilização de grupos ultraviolentos. A iniciativa também prevê maior articulação entre as polícias e o fortalecimento do papel da Polícia Federal no combate a organizações criminosas e milícias com atuação interestadual e internacional.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES