A Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, na Aldeia Jaguapiru, Reserva Indígena de Dourados, foi transformada em hospital de campanha para atender casos de chikungunya. A estrutura foi montada na quadra da unidade e começou a funcionar na terça-feira (17).
No primeiro dia de atendimento, cerca de 80 pessoas foram atendidas. Na quarta (18) a procura diminuiu em razão da chuva, mas equipes de saúde intensificaram a busca ativa nas residências, onde há relatos de famílias inteiras com sintomas como dores no corpo, dores nas articulações e náuseas.
A montagem do hospital de campanha foi realizada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) em parceria com o Hospital Universitário da UFGD (HU-UFGD). Profissionais vindos de Campo Grande e Caarapó também foram mobilizados.
A equipe no local é multiprofissional, composta por médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo. Os atendimentos estão previstos das 7h às 19h, com possibilidade de extensão enquanto houver pacientes. Casos mais graves estão sendo encaminhados ao Hospital da Missão Evangélica Caiuá; gestantes e crianças são direcionadas ao HU-UFGD.
A ação integra um conjunto de medidas adotadas pela Prefeitura de Dourados. Até o momento foram vistoriados 4.319 imóveis, 2.173 locais tratados e identificados 1.004 focos do mosquito — 90% deles em caixas d’água, lixo e pneus. Também foram realizadas borrifação em 43 imóveis, uso de equipamentos de inseticida (LECO) e mobilização de 86 agentes de endemias e 29 agentes de saúde indígena.
A epidemia tem afetado a rotina escolar na aldeia: não houve aulas nas escolas municipais e estaduais de Jaguapiru na quarta-feira. Na própria Tengatui, aproximadamente 30 servidores entre professores e funcionários administrativos apresentam sintomas, e há alto índice de faltas entre os alunos.
A Secretaria Municipal de Educação informou que a suspensão das atividades na quarta-feira foi decidida por lideranças da aldeia sem autorização da pasta, e que o calendário escolar permanece vigente.
Segundo o boletim epidemiológico mais recente, a Reserva Indígena registra 407 casos notificados, dos quais 202 foram confirmados, 181 estão em investigação, 24 foram descartados e houve 4 óbitos — todas as vítimas eram da aldeia Jaguapiru (uma mulher de 69 anos, um homem de 73 anos, um bebê de 3 meses e uma mulher de 60 anos). Na área urbana de Dourados foram registradas 912 notificações, com 379 casos confirmados e sem óbitos até o momento.
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde, do governo federal, tem previsão de iniciar na quinta-feira (19) o reforço ao atendimento nas comunidades Jaguapiru e Bororó. Equipes de Brasília se reuniram com autoridades de saúde de Dourados, de Itaporã e com a Sesai para alinhar a operação.
A Secretaria Municipal de Saúde de Dourados informou que tem intensificado ações de controle, ressaltando a necessidade de colaboração da população, especialmente na eliminação de água parada para reduzir criadouros do mosquito.



