domingo, março 29, 2026
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SUS passa a oferecer novo tratamento para malária em crianças

O Ministério da Saúde iniciou a oferta do tratamento pediátrico com tafenoquina (comprimidos de 50 mg) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças com menos de 16 anos. A nova apresentação é indicada para pacientes com peso entre 10 kg e 35 kg e para casos de malária causada por Plasmodium vivax; não é recomendada para gestantes ou lactantes.

Crianças representam cerca de metade dos casos de malária no país. Até então, o medicamento estava disponível apenas para pessoas a partir de 16 anos.

A distribuição das doses está sendo feita de forma gradual, com prioridade para áreas da Região Amazônica. O Brasil é o primeiro país a disponibilizar esse tipo de tratamento infantil.

Inicialmente, o plano prevê a entrega de 126.120 comprimidos da formulação pediátrica em todo o território nacional. Até o momento, foram recebidas 64.800 doses, cujo envio será direcionado às localidades de maior incidência, incluindo os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.

O ministério investiu R$ 970 mil na aquisição do medicamento. O DSEI Yanomami foi o primeiro a receber remessas da apresentação pediátrica — a região já havia sido a primeira a receber a tafenoquina de 150 mg, destinada a pacientes com mais de 16 anos, em 2024.

A adoção da tafenoquina pediátrica busca reduzir as recaídas e a transmissão da doença. O novo esquema dispensa a terapia prolongada de até 14 dias que vinha sendo utilizada, o que tende a facilitar a adesão, sobretudo entre crianças, ao possibilitar administração em dose única ajustada ao peso.

Além da introdução do medicamento, o Ministério da Saúde mantém ações de vigilância, ampliação do controle vetorial, busca ativa de casos e a disponibilização de testes rápidos nas áreas afetadas.

No DSEI Yanomami, entre 2023 e 2025 houve aumento de 103,7% na realização de testes, crescimento de 116,6% no número de diagnósticos e redução de 70% nas mortes por malária. Em âmbito nacional, 2025 registrou 120.659 casos — o menor total desde 1979 e uma queda de 15% em relação a 2024. Houve também redução de 16% nos casos em áreas indígenas do país.

A Região Amazônica concentra 99% dos casos nacionais, com 117.879 ocorrências registradas no ano passado.

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