sábado, março 28, 2026
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Pesquisa revela que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres

Pesquisa do IBGE aponta que mulheres dedicam em média 9,6 horas semanais a mais do que homens a trabalhos domésticos e de cuidado, segundo a PNAD 2022. Esse diferencial equivale a mais de mil horas por ano dedicadas a atividades não remuneradas voltadas a familiares — filhos, cônjuges ou pais.

Estudo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) complementa o cenário: 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres. A média etária dos cuidadores identificados no levantamento é de 48 anos, com predomínio de filhas, cônjuges e netas na rede de cuidados. O fenômeno é observado em diferentes países.

Metodologia e perfil
A pesquisa da PUCPR incluiu 18 entrevistas com mulheres de áreas urbanas e rurais nos estados do Paraná e de Santa Catarina, responsáveis por familiares idosos, doentes ou com deficiência.

Os dados do estudo apontam que 68% das cuidadoras são filhas, 21% esposas e 5% netas ou irmãs. Quanto à faixa etária, 43% têm entre 41 e 60 anos, 37% têm mais de 60 anos e 22% entre 21 e 30 anos.

Em termos de escolaridade, 58% cursaram o ensino fundamental, 30% têm ensino superior e 11% ensino médio. A distribuição por ocupação mostra 32% agricultoras, 26% inseridas no mercado de trabalho formal, 26% aposentadas, 11% donas de casa e 5% estudantes. Ainda segundo o levantamento, 61% interromperam o trabalho remunerado para assumir cuidados em tempo integral; essa interrupção foi observada em todas as agricultoras entrevistadas.

Impactos e condições
A pesquisa registra efeitos recorrentes entre as cuidadoras: exaustão, isolamento e ausência de proteção previdenciária ou remuneração específica pelo trabalho de cuidado. O levantamento também destaca que as tarefas vão além de alimentação, higienização e administração de remédios, envolvendo uma dimensão afetiva contínua.

Geração Sanduíche e divisão desigual
Os dados indicam que a sobrecarga recai com mais intensidade sobre a chamada “Geração Sanduíche”, mulheres que concorrem trabalho formal, gestão doméstica e cuidados familiares. O estudo aponta jornadas duplas que acumulam tarefas remuneradas e não remuneradas.

Políticas públicas comparadas
O trabalho analisa experiências de outros países sobre apoio a cuidadores. Na Finlândia e na Dinamarca, assistentes domésticos e de serviços recebem pagamento municipal. França, Áustria, Alemanha e Holanda subsidiam parte desses serviços. Reino Unido e Irlanda oferecem compensação por perda de renda durante o período de assistência a familiares. A Espanha conta com legislação de promoção da autonomia pessoal que inclui compensações econômicas para cuidadores familiares. No Uruguai, há norma que permite aposentadoria antecipada para mulheres segundo número de filhos.

Brasil
No Brasil, foi instituída a Política Nacional do Cuidado no final de 2024, cuja implementação está em curso. O estudo ressalta a necessidade de reconhecer institucionalmente o trabalho de cuidar, incluindo alternativas de compensação financeira e formas de inclusão desse tempo de trabalho nas regras previdenciárias.

Autoria
A pesquisa tem como autoras Valquiria Elita Renk, Ana Silvia Juliatto Bordini e Sabrina P. Buziquia, vinculadas à Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

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