quinta-feira, março 26, 2026
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“Presidente da Capes Recomenda que Estudantes Considerem Alternativas aos Estados Unidos”

A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, alertou os pesquisadores brasileiros com viagens agendadas para os Estados Unidos sobre a necessidade de ter um plano alternativo. A orientação é para que considerem outros países como destinos, já que ainda não há registro de bolsistas brasileiros com visto negado. No entanto, a incerteza persiste, uma vez que muitos estudantes estão programados para embarcar em setembro.

Desde o início do governo Trump, as regras para a concessão de vistos de estudo nos EUA foram severamente endurecidas. A mais recente exigência obriga os candidatos a manterem suas redes sociais abertas para avaliação das publicações. Além disso, houve tentativas da administração de restringir a matrícula de estudantes estrangeiros em instituições como a Universidade de Harvard.

Denise Pires de Carvalho abordou essa questão durante uma palestra no Fórum de Academias de Ciências do Brics, realizado no Rio de Janeiro. Ela ressaltou a relevância da cooperação científica internacional, mencionando que, em 2024, mais de 700 projetos foram firmados com a participação de 61 países, possibilitando a mobilidade de quase 9 mil pesquisadores brasileiros e a vinda de aproximadamente 1,2 mil estrangeiros para o Brasil.

Em relação ao panorama da pesquisa acadêmica no Brasil, a quantidade de cursos de mestrado e doutorado dobrou nas últimas duas décadas, passando de quase 3 mil em 2004 para mais de 7 mil em 2023. Contudo, a desigualdade regional persiste: atualmente, dos 4.859 programas existentes, 1.987 estão localizados no Sudeste, enquanto o Sul possui 991. A Região Nordeste abriga 975 programas, o Centro-Oeste tem 407 e a Região Norte apenas 289.

A presidente da Capes enfatizou a importância de reduzir as desigualdades regionais para que o Brasil alcance níveis de desenvolvimento semelhantes aos de países desenvolvidos. Ela reforçou a correlação entre educação superior e desenvolvimento econômico, citando o exemplo do Chile.

Para enfrentar essas desigualdades, a Capes implementou ações voltadas à redução das assimetrias regionais. Uma dessas iniciativas envolveu a revisão dos critérios para concessão de bolsas de pós-doutorado, permitindo que programas com nota 5, principalmente nas regiões Norte e em cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), também possam receber apoio. Essa medida visa não apenas fortalecer esses programas, mas também reter pesquisadores locais, contribuindo para o desenvolvimento acadêmico e científico nas áreas menos assistidas do país.

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