quarta-feira, março 25, 2026
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Quase 8 mil mortes em rotas migratórias registradas em 2025

Quase 8 mil pessoas morreram ou desapareceram no ano passado em rotas migratórias perigosas, como o Mediterrâneo e o Chifre da África, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM). A agência alerta que o número real provavelmente é maior, devido a cortes de financiamento que reduziram o acesso humanitário e a capacidade de rastrear óbitos.

O relatório aponta que as vias legais para a migração vêm diminuindo, o que tem empurrado mais pessoas para redes de contrabando. Ao mesmo tempo, políticas de fiscalização mais rígidas e investimentos em medidas de dissuasão por parte de países como os Estados Unidos e do bloco europeu contribuem para o aumento das viagens irregulares e perigosas.

Em termos numéricos, as mortes em rotas migratórias caíram para 7.667 em 2025, ante quase 9.200 em 2024. A queda está relacionada, em parte, à redução de tentativas de travessias irregulares — especialmente nas Américas — mas também reflete limitações no monitoramento causadas pela falta de recursos.

A OIM, com sede em Genebra, figura entre organizações humanitárias afetadas por cortes significativos no financiamento dos Estados Unidos. Esses cortes levaram à redução ou ao encerramento de programas, o que, segundo a agência, terá impacto grave sobre migrantes vulneráveis.

As rotas marítimas permaneceram entre as mais letais. No Mediterrâneo, pelo menos 2.108 pessoas morreram ou desapareceram no último ano. Na rota atlântica rumo às Ilhas Canárias, na Espanha, foram registradas 1.047 mortes ou desaparecimentos.

Na Ásia, cerca de 3 mil mortes de migrantes foram contabilizadas, mais da metade envolvendo afegãos. No Chifre da África, 922 pessoas morreram ao cruzar do Iêmen em direção aos Estados do Golfo — um aumento acentuado em relação ao ano anterior. Quase todos eram etíopes, muitos vítimas de três naufrágios em massa.

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