terça-feira, março 31, 2026
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Rio de Janeiro inicia vacinação contra a dengue

A partir desta segunda-feira (23), os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro começam a receber a nova vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) recebeu 33.364 doses, das quais 12.500 foram destinadas à capital.

A primeira fase de vacinação prioriza profissionais da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Serão atendidos trabalhadores que atuam diretamente nas unidades básicas, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e pessoal administrativo e de apoio.

A vacina é aplicada em dose única e protege contra quatro sorotipos do vírus da dengue. No estado, os sorotipos 1 e 2 têm sido os mais comuns. Há preocupação com a possível reintrodução do sorotipo 3, que não circula no território fluminense desde 2007, o que pode aumentar a vulnerabilidade da população que nunca teve contato com essa variante — que já foi detectada em estados vizinhos.

Dados do Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ mostram que, até 20 de fevereiro de 2026, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem óbitos confirmados. Também foram notificados 41 casos prováveis de chikungunya, com cinco internações. Não há casos confirmados de zika no estado.

O monitoramento da dengue é feito por um indicador composto que considera atendimentos em unidades de pronto atendimento (UPAs), solicitações de leitos e taxa de positividade dos exames. Essas informações são atualizadas em tempo real na plataforma MonitoraRJ. Atualmente, os 92 municípios estão em situação de rotina.

Apesar dos índices considerados baixos, a secretaria alerta para o período pós-carnaval. As fortes chuvas que antecederam a folia, somadas ao calor do verão, favorecem a reprodução do Aedes aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika. A circulação de turistas também eleva o risco de introdução de novos sorotipos.

Como medida preventiva, a recomendação é que cada morador dedique pelo menos dez minutos por semana para eliminar criadouros: verificar a vedação da caixa d’água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar água acumulada em bandejas de geladeira e outros recipientes expostos. No verão, a alternância entre calor e chuva acelera o ciclo do mosquito, e ovos em acúmulos de água podem eclodir rapidamente com sol e temperaturas altas.

Desde 2023 o Ministério da Saúde também disponibiliza a vacina Qdenga, de fabricação japonesa. No Rio de Janeiro, mais de 758 mil doses dessa vacina já foram aplicadas. Entre o público-alvo de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose e 244 mil completaram o esquema vacinal.

A SES-RJ tem investido em qualificação da rede assistencial por meio de videoaulas e treinamentos, além de desenvolver uma ferramenta digital que padroniza o manejo clínico da dengue nas unidades de saúde — tecnologia compartilhada com outros estados. O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi ampliado para realizar até 40 mil exames por mês, elevando a capacidade de diagnóstico para dengue, zika, chikungunya e febre do Oropouche — arbovirose transmitida pelo maruim (Ceratopogonidae), e não pelo Aedes aegypti.

Com a chegada da nova vacina, o estado reforça a estratégia integrada de imunização, vigilância e prevenção, com o objetivo de evitar sobrecarga da rede de saúde e manter os indicadores controlados antes do outono.

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