A venda da operação do TikTok nos Estados Unidos deve ser concluída nesta quinta-feira (22), em um dos maiores negócios envolvendo a chinesa ByteDance. A negociação ocorreu sob forte pressão do governo norte-americano, retomando movimentações iniciadas no primeiro mandato de Donald Trump.
Com a transação, o controle decisório e o gerenciamento dos dados deixam majoritariamente a ByteDance. A empresa chinesa deve manter 20% de participação, enquanto o controle ficará com grupos alinhados ao governo dos EUA e seus aliados, como o fundo MGX, ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos, e a Oracle, que ficará responsável pelo armazenamento de dados.
O valor estimado da operação é de US$ 14 bilhões, segundo declaração do vice-presidente James Vance. O TikTok é a quarta maior plataforma dos Estados Unidos, com cerca de 170 milhões de usuários.
A participação da Oracle no negócio terá à frente Larry Ellison. A estrutura acionária atual do TikTok conta com cerca de 60% do capital aberto a fundos internacionais, entre eles BlackRock, General Atlantic e Susquehanna. Cerca de 20% das ações estão pulverizadas entre empregados, incluindo cerca de 7 mil trabalhadores nos EUA. Os 20% restantes pertencem aos fundadores, cujo único nome público é Zhang Yiming.
O governo chinês manifestou-se sobre a negociação por meio do Ministério do Comércio, afirmando que espera uma solução conforme as leis e regulamentos chineses e que resulte em equilíbrio de interesses entre as partes.
Veículos e analistas especializados nos Estados Unidos têm apontado divergências sobre o alcance das mudanças. Há relatos de que a alteração pode envolver não apenas a migração de servidores, mas também transformações na arquitetura do aplicativo, em sua aparência e em funcionalidades. Essas incertezas se assemelham às observadas em outras aquisições recentes no setor de redes sociais.
Também estão em debate questões técnicas e jurídicas relacionadas à transição de dados: se a nova empresa norte-americana manterá comunicação com a plataforma em outros países, como serão transferidos os dados de usuários dos EUA e como isso afetará o acesso a informações armazenadas em servidores na Europa, China ou América Latina.
O TikTok já opera por meio de entidades locais em diferentes países, com empresas específicas para Reino Unido, Estados Unidos e Brasil. Essa estrutura local gera distorções sobre condutas comerciais, políticas de moderação e atendimento a demandas legais nacionais, tema que também envolve outras plataformas como Instagram, Discord e X.
Na Europa, a plataforma tem implementado mudanças voltadas para a moderação de conteúdo destinado a crianças menores de 13 anos. A estatal de mídia chinesa CGTN informou que haverá uma nova política de moderação para esse público após casos polêmicos relacionados a conteúdo que incentivou autoagressão. A implementação prevê uso de varredura automática seguida de revisão humana e, em determinados casos, banimento de usuários.
No Brasil, a ByteDance declarou que a criação da joint venture nos Estados Unidos é específica para as operações naquele país e não afetará a experiência dos usuários brasileiros. Paralelamente, a empresa avança na expansão de infraestrutura local: em 15 de janeiro começaram as obras de um data center dedicado ao TikTok em Caucaia (CE), que será construído e operado pela OMNIA, braço do Grupo Pátria, e contará com aportes de investidores incluindo o BlackRock.
O projeto do data center prevê 200 megawatts de capacidade de processamento, alimentação por energia solar e eólica própria e custo estimado em torno de R$ 200 bilhões. A previsão é de que se torne a maior estrutura do tipo na América Latina.
No âmbito regulatório, aguarda-se a votação do Projeto de Lei de Concorrência Digital (PL 4675/2025), possivelmente em 2026, que prevê dar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) poderes de mediação em negócios digitais e criar uma Superintendência de Mercados Digitais (SMD). Em 2025, o Congresso aprovou a Lei 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, que estabelece regras para o tratamento de informações de crianças em plataformas digitais.



