domingo, junho 28, 2026
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Há cinco anos, Brasil iniciou a aplicação das primeiras doses da vacina contra a covid-19

Há cinco anos, em 17 de janeiro de 2021, o Brasil deu o primeiro passo oficial na campanha de vacinação contra a covid-19. Naquele dia, após a Anvisa autorizar o uso emergencial de duas vacinas, a enfermeira paulista Mônica Calazans recebeu a primeira dose aplicada no país. Ela havia participado dos ensaios clínicos da CoronaVac no final de 2020, realizados no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência no atendimento de doenças infectocontagiosas.

A vacinação em todo o país começou no dia seguinte, 18 de janeiro, com a distribuição de um lote inicial de 6 milhões de doses da CoronaVac importadas da China pelo Instituto Butantan. O Butantan passou posteriormente a finalizar e envazar a vacina no Brasil a partir do ingrediente ativo enviado pela Sinovac. Em 23 de janeiro chegaram as primeiras 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, importadas inicialmente da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que também incorporou a tecnologia para produção nacional.

O plano de imunização deu prioridade a profissionais de saúde da linha de frente, idosos, pessoas com deficiência em instituições e populações indígenas. O país enfrentava naquele momento o pico da variante Gama, mais agressiva e letal que as anteriores. A oferta limitada de doses fez com que a campanha avançasse de forma lenta nas primeiras semanas; em cidades como o Rio de Janeiro, idosos entre 60 e 70 anos só passaram a ser vacinados entre março e abril de 2021.

Os efeitos da vacinação tornaram-se visíveis já em abril. Dados do Observatório Covid-19 Brasil apontam queda acentuada nas hospitalizações e mortes entre idosos a partir desse mês. Estima-se que, nos primeiros sete meses da campanha, cerca de 165 mil internações e 58 mil mortes entre idosos foram evitadas.

Com o avanço da produção nacional pelo Butantan e pela Fiocruz e a chegada de imunizantes de fornecedores privados, o ritmo de aplicação de doses cresceu. Em um ano, foram administradas 339 milhões de doses, alcançando aproximadamente 84% da população brasileira. Especialistas estimam que a vacinação previniu 74% dos casos graves e 82% das mortes que seriam esperadas, o que corresponderia a mais de 300 mil vidas poupadas.

Ao mesmo tempo, estudos apontaram custos evitáveis da demora. O Observatório Covid-19 Brasil calculou que, entre os idosos, 104 mil hospitalizações e 47 mil mortes poderiam ter sido evitadas se a campanha tivesse começado mais cedo. Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais indicou que, com um início 40 dias antes — na mesma data em que o Reino Unido iniciou — e medidas de proteção associadas, o Brasil poderia ter evitado até 400 mil mortes.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, em 2021, concluiu que o governo federal contribuiu para uma escassez de doses que elevou o número de casos e óbitos e favoreceu a disseminação de novas variantes. Entre as evidências citadas pela comissão está uma proposta da Pfizer, em agosto de 2020, oferecendo 1,5 milhão de doses a serem entregues ainda naquele ano, sem resposta do governo. O relatório final da CPI sugeriu o indiciamento de 68 pessoas, incluindo o então presidente e ministros da Saúde. O pedido foi arquivado em julho de 2022 a pedido do procurador-geral da República na época. Em 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar as denúncias levantadas pela CPI.

Além dos números, a pandemia deixou marca profunda nas cidades. Em Manaus, por exemplo, o aumento de mortes obrigou a ampliação do número de sepulturas em cemitérios públicos durante os períodos mais críticos. Famílias e organizações de vítimas seguem mobilizadas, reivindicando esclarecimentos sobre as decisões tomadas no início da campanha de imunização.

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