domingo, março 29, 2026
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Aumento do salário mínimo deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia, estima o Dieese

O novo salário mínimo de R$ 1.621, previsto para vigorar a partir de 1º de janeiro e começar a ser pago em fevereiro, deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia, estima o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão renda diretamente afetada pelo piso. Do total, 29,3 milhões são aposentados e pensionistas do INSS; 17,7 milhões, empregados com carteira; 10,7 milhões, trabalhadores autônomos; 3,9 milhões, empregados domésticos; e 383 mil empregadores.

O reajuste representa um aumento nominal de 6,79% em relação ao mínimo vigente, correspondendo a R$ 103 a mais no valor do piso.

Impacto fiscal
O Dieese aponta que o aumento do mínimo terá efeitos relevantes sobre benefícios e despesas indexadas ao piso, pressionando o orçamento público. Entre os principais impactos estão:

– R$ 39,1 bilhões de aumento estimado nas despesas da Previdência Social em 2026;
– R$ 380,5 milhões de custo adicional para cada R$ 1 de elevação do salário mínimo;
– 46% dos gastos previdenciários impactados diretamente pelo reajuste;
– 70,8% dos beneficiários da Previdência recebem benefícios atrelados ao mínimo.

O governo precisará conciliar o efeito positivo sobre a renda da população com o controle das despesas obrigatórias, em um cenário que exige cumprimento de metas fiscais.

Como foi definido o reajuste
A correção do salário mínimo segue a Lei 14.663, de agosto de 2023, que combina a variação do INPC do ano anterior e o crescimento do PIB de dois anos antes.

Para 2026, o cálculo foi parcialmente limitado pelo novo arcabouço fiscal da Lei Complementar 200/2023, que estabelece um teto para o crescimento real das despesas da União. Assim, foi considerada integralmente a inflação medida pelo INPC, de 4,18% (acumulado de dezembro do ano passado a novembro deste ano), enquanto o crescimento do PIB de 3,4% foi limitado a 2,5%, percentual máximo permitido pelo novo regime fiscal.

A junção desses fatores resultou no aumento nominal de R$ 103 aplicado ao salário mínimo.

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