terça-feira, março 31, 2026
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Hábitos de vida colocam jovens de até 30 anos em risco de problemas cardíacos

Pesquisas indicam que fatores de risco cardiovascular antes associados a homens acima de 40 anos já aparecem com frequência entre adultos mais jovens, especialmente na faixa dos 20 aos 30 anos.

Dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) mostram que, entre adultos de 18 a 39 anos, 7,3% apresentam hipertensão e 8,8% têm colesterol alto. Ainda conforme a base de dados, 26,9% registram pressão arterial em níveis elevados e 21,6% apresentam colesterol limítrofe, muitas vezes sem diagnóstico.

O avanço do risco ocorre em ambos os sexos. Entre as mulheres, condições relacionadas à gestação — como pré-eclâmpsia, eclâmpsia e diabetes gestacional —, além de menopausa precoce e doenças autoimunes, elevam o risco cardiovascular prematuro. Entre os homens, fatores comportamentais e de estilo de vida têm papel importante.

Estilos de vida sedentários, dieta rica em alimentos ultraprocessados, jornadas de trabalho prolongadas, uso de estimulantes (incluindo energéticos e pré-treinos), consumo abusivo de álcool, privação de sono e uso de esteroides anabolizantes são apontados como contribuintes para disfunção metabólica, inflamação vascular, aumento da pressão arterial e risco de arritmias. Estudos recentes associam o uso de anabolizantes a maior incidência de doenças cardiovasculares.

Há também sinais de envelhecimento cardíaco precoce e de desenvolvimento mais precoce de aterosclerose coronariana, com registros de infartos ocorrendo antes dos 30 e mesmo dos 25 anos, em parte relacionados ao aumento da obesidade desde a adolescência.

Para prevenção, especialistas e guias clínicos recomendam atenção a hábitos alimentares e à atividade física: priorizar alimentos in natura, verduras e hortaliças, reduzir alimentos ultraprocessados e praticar ao menos 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa. Evitar o tabaco, limitar o consumo de álcool, manter sono adequado e controlar o peso também são medidas-chave.

A avaliação clínica precoce é indicada para identificação de riscos. Exames de pressão arterial e perfis lipídicos são ferramentas básicas. Há ainda testes específicos, como a dosagem de lipoproteína (a) — Lp(a) — que detectam risco genético de doença cardíaca e podem orientar estratégias preventivas.

Um estudo realizado na Espanha apontou que cerca de 18% dos jovens adultos apresentaram pré-diabetes, hipertensão ou dislipidemia, e quase metade estava acima do peso ou era fisicamente inativa, reforçando o caráter generalizado do problema.

O conjunto de dados e pesquisas ressalta a importância de medidas de prevenção e de rastreamento em idades mais jovens para postergar ou reduzir a ocorrência de eventos cardiovasculares.

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