domingo, março 29, 2026
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Bromélia recém-descoberta floresce no Jardim Botânico do Rio

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro anunciou a identificação de uma nova espécie de bromélia, batizada Wittmackia aurantiolilacina em referência às inflorescências nas cores laranja e lilás.

A espécie foi descrita pelo pesquisador Bruno Rezende, curador da coleção científica de bromélias do Jardim Botânico, em artigo publicado em 19 de novembro na revista Phytotaxa.

A planta é endêmica da Mata Atlântica e foi coletada no Parque Nacional do Alto Cariri (Bahia), perto da divisa com Minas Gerais. A amostragem ocorreu em agosto de 2023 por equipe do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) durante expedição do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Árvores Ameaçadas de Extinção do Sul da Bahia (PAN Hileia Baiana), vinculada ao Projeto GEF Pró-Espécies.

O exemplar recolhido estava sem flores (material estéril) e foi incorporado à coleção científica do bromeliário do JBRJ e ao Refúgio dos Gravatás, em Teresópolis. A floração no Jardim Botânico, registrada em julho de 2024, revelou a combinação de cores incomum que motivou a investigação taxonômica.

A definição da nova espécie baseou-se em um conjunto de características morfológicas, incluindo o formato e o tamanho de sépalas e pétalas, além da coloração das inflorescências. As sépalas, normalmente verdes em bromélias, apresentam diferenças marcantes neste táxon, o que integrou a justificativa para a descrição.

No Jardim Botânico há apenas um vaso com a nova bromélia. A planta pode formar dois a três brotos vegetativos laterais por ano, possibilitando propagação clonal. A reprodução sexuada, por polinização e produção de sementes, gera indivíduos geneticamente distintos, mas na coleção científica a multiplicação tem sido feita majoritariamente por via assexuada devido à limitação de espaço.

A estratégia de manejo na coleção prioriza a manutenção do exemplar em um vaso grande formando uma pequena touceira, com várias rosetas foliares, medida considerada importante para reduzir riscos por pragas ou doenças.

Entre as ameaças em ambiente urbano está a presença de macaco-prego no arboreto do Jardim Botânico, que já provocou destruição de bromélias ao consumir o palmito interno das folhas. No bromeliário, o cultivo em área protegida por gradil e com vigilância permite maior controle sobre esse tipo de dano.

A equipe do Jardim Botânico também intensificou coletas recentes em regiões como Chapada Diamantina e Serra do Ouro de Goiás, reforçando a importância de levantamentos de campo para o conhecimento da flora nativa.

Os autores do estudo indicaram a classificação da nova espécie como criticamente ameaçada de extinção. A avaliação leva em conta as dificuldades de fiscalização em áreas extensas do parque nacional, além de ameaças como incêndios, desmatamento, expansão de lavoura (cacau e café) e os impactos previstos das mudanças climáticas sobre a Mata Atlântica.

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