O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, com restrições, a fusão entre as redes de produtos para animais Petz e Cobasi. A operação criará a maior cadeia de produtos e serviços pet do país e uma das maiores da América Latina.
Para viabilizar o negócio, as empresas terão de vender 26 lojas no estado de São Paulo, a maioria na capital. Segundo comunicados das companhias, essas unidades representam cerca de 3,3% do faturamento combinado dos últimos 12 meses. Atualmente, as duas redes somam 515 lojas — 264 da Petz e 251 da Cobasi.
O pacote de remédios aprovado inclui a venda concentrada de lojas em São Paulo e medidas comportamentais, entre elas limites a cláusulas de exclusividade, sem detalhamento público dos termos.
Houve divergência parcial de um conselheiro quanto à seleção das lojas a serem alienadas. O Cade também registrou manifestação formal de potenciais interessados na compra de ativos, entre eles a Petlove, e anunciou acompanhamento da implementação das medidas.
A Petlove foi o principal contraponto à fusão no processo. A empresa alegou que o grupo resultante seria cerca de 30 vezes maior que o terceiro colocado do setor e considerou insuficientes eventuais vendas de lojas. O conselho, no entanto, rejeitou essa tese e entendeu que o conjunto de desinvestimentos e compromissos comportamentais é adequado.
Na defesa apresentada ao Cade, Petz e Cobasi sustentaram que a avaliação concorrencial deve levar em conta o ambiente digital, onde consumidores comparam preços entre canais físicos e online.
Com a fusão, a nova companhia projetará faturamento anual aproximado de R$ 7 bilhões e passará a responder por cerca de 40% do mercado pet brasileiro, avaliado em R$ 80 bilhões por ano, conforme dados apresentados ao Cade. As sinergias estimadas devem gerar redução de custos da ordem de R$ 330 milhões.
Pelo acordo societário, os acionistas da Cobasi deterão 47,4% da nova empresa, enquanto os da Petz ficarão com 52,6% e receberão, no total, R$ 400 milhões, dos quais R$ 130 milhões via dividendos.
O processo já havia recebido anuência inicial da Superintendência-Geral do Cade em junho, sem restrições, mas foi revisado após recurso da Petlove. A diretoria de estudos econômicos da autarquia havia alertado que, sem remédios, a operação poderia elevar preços em até 15% em mercados onde Petz e Cobasi são líderes. Durante o julgamento, houve pedidos por regras claras e isonômicas para a venda das lojas quando houver mais de um comprador interessado.
Sobre as empresas: a Petz foi fundada em 2002, emprega cerca de 7 mil pessoas e possui 264 lojas em 23 estados e no Distrito Federal. Em 2024, registrou receita líquida de R$ 3,3 bilhões e opera 112 clínicas e 15 hospitais veterinários, além de diversas marcas associadas.
A Cobasi, criada em 1985, também tem aproximadamente 7 mil funcionários e administra 251 lojas em 94 cidades. No ano passado faturou R$ 3,2 bilhões e opera, além da marca principal, outras bandeiras como Mundo Pet e Pet Anjo.
O Cade informou que acompanhará de perto o cumprimento das exigências e o impacto da fusão sobre preços, diversidade de produtos e entrada de novos concorrentes. Após a aprovação, as redes passarão a operar mais de 480 lojas em quase 20 estados, além de plataformas digitais e serviços veterinários, consolidando a maior estrutura do varejo pet no país.



