sábado, março 28, 2026
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Dívida Pública cresce 1,62% em outubro, atingindo mais de R$ 8,2 trilhões

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um aumento em outubro, com um montante de R$ 8,253 trilhões, crescimento de 1,62% em relação a setembro, que ficou em R$ 8,122 trilhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional.

Em agosto, a DPF havia ultrapassado pela primeira vez a marca de R$ 8 trilhões. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), ajustado em setembro, projeta-se que a DPF encerre 2025 entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) subiu 0,31%, alcançando R$ 7,948 trilhões em outubro, comparado aos R$ 7,82 trilhões de setembro. Em setembro, o Tesouro emitiu R$ 41,38 bilhões a mais do que resgatou, focando particularmente em títulos atrelados à Taxa Selic, além de incorporar R$ 85,23 bilhões em juros ao estoque da dívida.

Com a Selic em 15% ao ano, a apropriação de juros tem um impacto considerável sobre o endividamento. Em outubro, houve emissões de R$ 162,59 bilhões em títulos da DPMFi, sendo os resgates de apenas R$ 119,86 bilhões, apesar do vencimento elevado de títulos prefixados.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) cresceu 1,17%, passando de R$ 301,53 bilhões para R$ 305,06 bilhões entre setembro e outubro, impulsionada pela alta de 1,24% do dólar no mês.

Depois de uma queda em setembro, a reserva financeira conhecida como “colchão” da dívida pública aumentou, passando de R$ 1,032 trilhão em setembro para R$ 1,048 trilhão em outubro. Essa reserva, utilizada em períodos de instabilidade financeira, atualmente cobre 8,81 meses de vencimentos, com um total de R$ 1,434 trilhão previsto para os próximos 12 meses.

A composição da DPF, influenciada pela emissão de títulos indexados à Selic, demonstrou mudanças significativas entre setembro e outubro:

– Títulos vinculados à Selic: de 47,47% para 48,19%;
– Títulos corrigidos pela inflação: de 26,81% para 26,68%;
– Títulos prefixados: de 22,02% para 21,44%;
– Títulos vinculados ao câmbio: de 3,7% para 3,68%.

As projeções para o fechamento do ano indicam que os papéis atrelados à Selic devem representar entre 48% e 52%, enquanto aqueles corrigidos pela inflação devem ficar entre 24% e 28%. A expectativa é que os títulos prefixados atinjam entre 19% e 23%, e os vinculados ao câmbio, entre 3% e 7%.

O prazo médio da DPF passou de 4,16 anos para 4,14 anos, indicando a média de tempo que o governo leva para renovar sua dívida pública. Longos prazos costumam ser um sinal de confiança dos investidores na capacidade do governo de manter seus compromissos.

Quanto à composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna:

– Instituições financeiras: 32,21%;
– Fundos de pensão: 22,97%;
– Fundos de investimento: 21,21%;
– Não-residentes: 10,46%;
– Outros grupos: 13,2%.

Apesar de um cenário de maior tensão no mercado financeiro em outubro, a participação dos investidores não residentes subiu em relação a setembro. O governo utiliza a dívida pública como ferramenta de captação de recursos para arcar com suas obrigações financeiras, oferecendo a devolução do capital com correção através de diferentes indexadores.

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