Indígenas de diversas partes do mundo expressam suas preocupações sobre os encaminhamentos da COP30, que está ocorrendo em Belém. O Caucus Global Indígena, uma organização internacional, criticou o rascunho das decisões da Conferência do Clima da ONU, divulgado na última sexta-feira (21).
Taily Terena, representante do povo Terena de Mato Grosso do Sul, destaca a ausência de diálogo entre a coordenação do evento e as comunidades indígenas. Ela aponta que, apesar da expectativa de que o Brasil, por sua liderança na diplomacia global e sua posição como país com a maior parte da Floresta Amazônica, refletisse a diversidade dos mais de 300 povos indígenas do país, isso não está sendo concretizado. Taily lamenta que não houve convites para a participação das comunidades nos debates com a presidência da COP.
A representante também critica a falta de financiamento direto para a proteção das terras indígenas e questiona iniciativas como o Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF), desenvolvido pelo governo brasileiro. Taily considera problemático o conceito de monetização da natureza aplicado a esse fundo, alegando que ele não aborda adequadamente as necessidades reais das comunidades.
Além disso, Taily ressalta a necessidade de mais proteção para as terras indígenas em relação à exploração mineral, especialmente quanto aos chamados minerais críticos, que geram intensas disputas geopolíticas. Ela indica que as questões referentes à exploração e à transição energética, que inclui hidrelétricas e usinas eólicas, não estão suficientemente claras no texto das discussões.
Apesar das falhas no reconhecimento dos povos indígenas, Taily reitera que a luta continua. A 30ª Conferência sobre as Mudanças Climáticas da ONU, a COP30, é a que registra a maior presença de povos originários e comunidades tradicionais na história desses encontros. De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas, mais de cinco mil indígenas estiveram presentes, com 900 deles na Zona Azul, área oficial de negociações da conferência.



