sábado, março 28, 2026
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OMS: 840 milhões de mulheres no mundo sofreram violência

Quase um terço das mulheres no mundo, o que corresponde a 840 milhões de pessoas, já experienciou algum tipo de violência doméstica ou sexual. Essa informação foi divulgada na quarta-feira (19) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e demonstra pouca evolução em relação ao cenário de 2000.

Nos últimos 12 meses, 316 milhões de mulheres, ou 11% das adultas a partir dos 15 anos, foram vítimas de violência física ou sexual por parte de um parceiro. A OMS destaca que a redução nesse tipo de violência tem sido muito lenta, com uma diminuição anual de apenas 0,2% nas últimas duas décadas.

Este relatório introduziu pela primeira vez estimativas sobre a violência sexual perpetrada por pessoas que não são parceiras. Estima-se que 263 milhões de mulheres na faixa etária acima de 15 anos tenham sofrido essa forma de violência, um número que, segundo especialistas, está subestimado devido a fatores como o estigma e o medo.

A OMS reafirma que a violência contra mulheres é uma das injustiças mais arraigadas na sociedade, ainda carente de efetivas ações de combate. Relata também que a segurança e a saúde de uma sociedade não podem ser consideradas adequadas enquanto metade da população feminina vive em estado de medo.

Os impactos da violência são vastos, incluindo gestações indesejadas, maior suscetibilidade a infecções sexualmente transmissíveis e problemas de saúde mental, como depressão. A OMS ressalta a importância dos serviços de saúde sexual e reprodutiva como um canal essencial para que as sobreviventes recebam o suporte necessário.

O relatório também sinaliza que a violência frequentemente começa na adolescência. Nos últimos 12 meses, 12,5 milhões de jovens de 15 a 19 anos, correspondendo a 16% desse grupo, relataram sofrer violência física ou sexual por parte de parceiros.

Embora a violência contra mulheres ocorra em todo o mundo, as que vivem em países menos desenvolvidos, em situações de conflito e vulneráveis às mudanças climáticas são as mais afetadas. A Oceania apresenta uma taxa alarmante de 38% de violência por parceiros nos últimos doze meses, mais que o triplo da média global, que é de 11%.

Para que mudanças significativas ocorram e melhorem a vida das mulheres e meninas afetadas pela violência, é imprescindível que os governos implementem ações efetivas e garantam financiamento adequado. O relatório sugere iniciativas como a ampliação de programas de prevenção, o fortalecimento de serviços de saúde e apoio jurídico voltados para sobreviventes, investimentos em sistemas de coleta de dados e a aplicação de leis que promovam a igualdade de gênero.

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