Após a divulgação da inflação de outubro, que registrou o menor índice para o mês em quase 30 anos, a expectativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi corrigida de 4,55% para 4,46% em 2023. Essa nova projeção agora se encontra dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (BC).
A meta, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, variando entre 1,5% e 4,5%. Essas informações constam no boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (17) pelo BC, que compila as previsões de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.
Para o ano de 2026, a expectativa de inflação continua em 4,2%, enquanto para 2027 e 2028 as previsões são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.
A queda na tarifa de energia elétrica foi um dos fatores que contribuíram para a redução da inflação, resultando em um IPCA de apenas 0,09% em outubro, o mais baixo desde 1998, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, a inflação havia sido de 0,48%, e em outubro do ano passado, de 0,56%.
Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,68%, marcando a primeira vez em oito meses que fica abaixo de 5%, embora ainda acima do teto da meta do CMN.
O Banco Central utiliza a taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, como principal instrumento para controlar a inflação. A manutenção da taxa durante a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi influenciada pela desaceleração da economia e pela queda da inflação.
Entretanto, o Copom não descarta a possibilidade de aumentar a taxa novamente, se necessário. O BC identificou incertezas no ambiente econômico global, especialmente devido à situação econômica nos Estados Unidos, que impacta as condições financeiras internacionais.
Apesar da desaceleração da atividade econômica, a inflação no Brasil permanece acima da meta, o que sugere que os juros devem permanecer elevados por um período prolongado. Analistas estimam que a Selic permanecerá em 15% ao ano até o fim de 2025. Para o fim de 2026, a expectativa é de que caia para 12,25%, e para 2027 e 2028, para 10,5% e 10%, respectivamente.
Aumento na taxa Selic tem o intuito de desacelerar a demanda, o que tende a refletir na elevação dos preços, já que os juros altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Além disso, instituições financeiras levam em conta outros elementos, como o risco de inadimplência, ao definir as taxas de juros, impactando a expansão econômica.
Por outro lado, uma redução na Selic tende a facilitar o acesso ao crédito, estimulando tanto a produção quanto o consumo, embora isso possa limitar o controle sobre a inflação.
No que diz respeito ao crescimento econômico, o boletim Focus manteve a previsão de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2023 em 2,16%. Para 2026, a projeção está em 1,78%, e para 2027 e 2028, em 1,88% e 2%, respectivamente. O PIB cresceu 0,4% no segundo trimestre deste ano, impulsionado pelos setores de serviços e indústria, e registrou um aumento de 3,4% em 2024, representando o quarto ano consecutivo de crescimento e a maior expansão desde 2021.
A cotação do dólar é projetada em R$ 5,40 no final de 2023, com expectativa de incremento para R$ 5,50 até o final de 2026.



