sábado, março 28, 2026
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Prevenção é a Chave para Combater o Câncer, Afirma Ex-Ministro Temporão

O ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enfatiza que o combate ao câncer deve ir além do simples diagnóstico e tratamento, com um foco mais incisivo em prevenção e promoção da saúde. Temporão, que é pesquisador na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer, argumenta que o enfrentamento à doença representa não só um desafio médico, mas também social e econômico. Ele sugere uma reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) para que os municípios se organizem em regiões, proporcionando um atendimento mais eficaz e reduzindo desigualdades regionais.

Recentemente, dados da Organização Mundial da Saúde indicaram que o câncer deve se tornar a principal causa de mortes no mundo nas próximas décadas, superando doenças cardiovasculares. Além disso, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer estima que 35 milhões de novos casos podem surgir globalmente até 2050. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer projeta cerca de 700 mil novos casos anuais até 2025.

Observa-se que, nas nações de baixa e média renda, 70% das mortes por câncer ocorrem, revelando uma desigualdade acentuada no acesso a tratamentos e na promoção de saúde. Os desafios são complexos e envolvem questões como tabagismo, consumo de álcool, obesidade e poluição, que exigem ações intersetoriais.

Embora o diagnóstico precoce seja essencial, uma infraestrutura adequada na atenção básica é fundamental para a identificação de sintomas e a realização de exames como mamografias e colonoscopias. No Brasil, a rede de atenção primária abrange 150 milhões de pessoas, mas sua eficácia apresenta variações significativas entre regiões.

A introdução de novas tecnologias, como imunoterapia, levanta um debate sobre a acessibilidade no sistema de saúde, dada a alta custo associada. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) atua como reguladora, assegurando que novos tratamentos sejam avaliados quanto à sua efetividade em termos de custo e disponibilidade orçamentária.

Temporão destaca a importância de superar a fragmentação atual do sistema de saúde, que opera em mais de 5 mil municípios. A proposta é organizar as unidades de saúde em cerca de 400 regiões, permitindo a equipe multidisciplinar necessária para o atendimento.

Medidas como a promoção de rastreamento regular de câncer e a utilização de telemedicina podem facilitar diagnósticos mais rápidos e precisos. As tecnologias de comunicação também contribuiriam para melhorar o acesso à informação de saúde.

Contudo, o aumento da desinformação, impulsionado pela popularização de ferramentas como a inteligência artificial, representa um novo desafio. A construção de estratégias de comunicação eficazes e transparentes é vital para educar a população sobre os riscos associados à saúde, assim como a regulação da publicidade de produtos que contribuem para doenças.

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