sábado, março 28, 2026
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Ministro defende que igrejas discutam a gravidez na adolescência

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou, na terça-feira (21), a necessidade de abordar a gravidez na adolescência como uma questão crucial na redução das desigualdades no Brasil e na América Latina. Ele ressaltou a importância de promover um diálogo abrangente, que inclua lideranças religiosas e educacionais, para enfrentar esse problema.

Durante um evento do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o ministro informou que o Ministério da Saúde está empenhado em reorganizar a atenção primária à saúde, incentivando os profissionais a conhecerem melhor os territórios onde atuam. Essa reestruturação, segundo Padilha, foi comprometida pela pandemia de covid-19.

O evento, intitulado “Futuro Sustentável – Prevenção da Gravidez na Adolescência na América Latina e Caribe”, reuniu governantes, organismos internacionais e especialistas para discutir políticas públicas voltadas para a redução dos casos de gravidez na adolescência. As taxas na região têm diminuído, mas permanecem altas, com a América Latina apresentando a segunda maior taxa de fecundidade adolescente do mundo, atrás apenas da África Subsaariana. A cada 20 segundos, uma adolescente se torna mãe na região, o que representa cerca de 1,6 milhão de nascimentos anuais.

A UNFPA assinalou que a gravidez na adolescência está frequentemente relacionada a fatores como pobreza, evasão escolar e desigualdade de gênero. No Brasil, 12% dos nascidos vivos têm mães adolescentes.

Padilha enfatizou que a gravidez na adolescência geralmente não é planejada, resultando da falta de acesso a informação e direitos básicos, como proteção contra a violência. Ele argumentou que essas questões afetam não só a vida das jovens mães, mas também o futuro de seus filhos em termos de educação e dignidade.

O ministro ressaltou que a discussão sobre a saúde dos adolescentes deve ser priorizada nos espaços governamentais, já que este grupo frequentemente não tem a oportunidade de apresentar suas demandas. Ele observou que, ao contrário de outras questões, os temas relacionados à adolescência muitas vezes não recebem a mesma atenção.

Além disso, Padilha afirmou que o Brasil levará esse tema à reunião dos ministros do Mercosul, já que o país ocupa a presidência do bloco neste semestre.

No evento, o ministro também abordou a importância de criar ambientes seguros para jovens e garantir acesso aos serviços de saúde. Ele mencionou a iniciativa da caderneta digital do adolescente e a inclusão do implante contraceptivo Implanon no Sistema Único de Saúde (SUS) como passos fundamentais nesse sentido.

Por fim, Padilha sugeriu que programas de transferência de tecnologia e assistência técnica podem ser desenvolvidos na América Latina, visando à oferta sustentável de serviços de saúde, similar ao que foi realizado durante a cooperação em vacinação. Ele concluiu que quando os países latino-americanos se unem, conseguem formular políticas públicas mais eficazes para alterar a realidade regional.

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