sexta-feira, abril 3, 2026
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Golpe da Imitação Vocal utiliza inteligência artificial para trapacear vítimas

**Aumento dos Golpes utilizando Tecnologia Avançada no Brasil**

Nos últimos tempos, criminosos têm utilizado softwares sofisticados para criar vozes e imagens que imitam pessoas, facilitando a realização de golpes. Essas ferramentas têm a capacidade de sincronizar expressões faciais, movimentos labiais e tons de voz, resultando em falsificações de vídeos e áudios que parecem autênticos.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Segurança Pública emitiu um alerta sobre a prática conhecida como “golpe do roubo da voz”. Nesse esquema, os golpistas se fazem passar por representantes da secretaria ou de delegacias, contatando as vítimas sob o pretexto de discutir uma ocorrência. Durante a ligação, eles fazem perguntas simples para gravar a voz da pessoa. As amostras coletadas são, então, utilizadas em conjunto com inteligência artificial para criar mensagens manipuladas que são enviadas a familiares e amigos da vítima.

Um caso recente ilustra bem essa modalidade de crime. A irmã de um alvo, que preferiu não se identificar, relatou que os golpistas ligaram para sua mãe em plena madrugada, alegando que o filho dela havia sido sequestrado. A situação causou um grande pânico na família, especialmente quando a voz manipulada foi utilizada durante a conversa. A suposta vítima pediu dinheiro, insinuando que poderia estar em apuros. Após longas duas horas de ameaças, a família acabou cedendo, entregando joias e realizando transferências bancárias para os criminosos, até que descobriram que o filho estava bem e que tudo não passava de um golpe.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam um aumento de 17% nos casos de estelionato eletrônico no país. Especialistas, como o advogado criminalista Leonardo Mendonça, ressaltam que a complexidade desse crime reside no uso de provas subjetivas e na reconstrução de contextos enganosos. A combinação com inteligência artificial torna a situação ainda mais preocupante, uma vez que as vítimas podem ser convencidas da veracidade do que estão vendo ou ouvindo.

Para se proteger, Mendonça recomenda cautela em contatos que se apresentem como sendo de órgãos públicos e alerta sobre a importância de resguardar dados pessoais em redes sociais e telefonemas. Ele sugere também a verificação da identidade dos interlocutores por meio de videochamadas, utilizando ferramentas como o WhatsApp.

Embora o Código Penal atual classifique esses crimes como estelionato digital, há um entendimento sobre a necessidade de uma atualização legislativa para incluir agravantes específicos relacionados ao uso de tecnologias avançadas.

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